Manuela Ferreira Leite cometeu dois erros fatais como líder do PSD: ignorou as noções mais básicas de marketing político e castigou de forma lamentável e discricionária os que lhe viriam, ironicamente, a suceder. Mas, Manuela Ferreira Leite perdeu as eleições por uma razão bem mais prosaica: disse a verdade ao País antes do tempo, com a agravante de ter dito aquilo que ninguém queria ouvir. Em poucos meses, as profecias da desgraça de Ferreira Leite tornaram-se o pão nosso de cada dia e cada dia que passa o país sabe que viverá pior do que na véspera. Apesar de existirem e persistirem as corporações de interesses e os preconceitos ideológicos cristalizados, a sociedade portuguesa tem hoje uma consciência das suas circunstâncias e contexto que retira margem a vendedores de ilusões com um ‘sorriso pepsodent’. Acredito que essa consciência tenderá a valorizar os políticos que apresentem uma agenda reformista mesmo que ela comporte rupturas pouco compatíveis, à partida, com a renovação de uma maioria. O que Pedro Passos Coelho está a propor – e que se espera que cumpra – é que fará o que tiver de ser feito, mesmo que isso lhe permita governar apenas por quatro anos. «Um projecto com princípio, meio e fim», como sintetizou Paulo Rangel, que poderá ser difícil de defender perante o eleitorado. Claro que ninguém gosta da redução do Estado Social, da liberalização de despedimentos ou de uma disciplina orçamental com visão de médio prazo, mas não parece haver alternativa nem muitas mais oportunidades para um país endividado e cheio de vícios. As razões de Passos Coelho são atendíveis e a sua causa parece justa, o que obriga José Sócrates a definir se continua a interpretar uma personagem de ficção ou se desce à terra. A grande novidade é que o país terá, daqui a alguns meses, dois candidatos a primeiro-ministro igualmente determinados e absolutamente diferentes nas suas idiossincrasias. Sócrates perdeu a sua principal vantagem competitiva: já não está sozinho no ringue da coragem.
_ Casamento homossexual, ab...
_ A tosta mista e patriótic...
_ Um novo milagre das rosas...
_ É tão feio mentir a um il...
_ O Dia Europeu com Marijua...
_ Continuamos no pelotão do...
_ Os demónios internos do P...
_ O País das Maravilhas de ...