Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

A rédea menos solta

Os manifestos têm em Portugal o mesmo efeito do fogo de artifício: impressionam, são aplaudidos e desaparecem no horizonte.

Por serem um exercício raro de cidadania merecem, no entanto, toda a atenção. Nos últimos anos, a economia e as finanças públicas têm gerado manifestos para todos os gostos - dos centros de decisão ao investimento público. O documento que agora junta Braga de Macedo e Pina Moura defende uma cooperação entre Governo, Oposição e parceiros sociais na elaboração do Programa de Estabilidade e Crescimento. Ideia sensata. Mas, defende, também, o acompanhamento multilateral da situação económica portuguesa por órgãos próprios da União Europeia e pelo FMI. E esta é uma ideia nada elogiosa para nós. Mas, é fundamental: funcionamos melhor como país quando temos a rédea menos solta.
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Miguel Coutinho
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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010

Fatia dourada mas mal informada

A informação é poder, mas, como se comprova pelo caso PT/TVI, nem sempre o poder está informado.

 

Eis-nos, pois, confrontados com uma situação peculiar: o primeiro-ministro jura que desconhecia o negócio enquanto a líder da Oposição confirma que sabia de tudo desde Junho. Se alguém se lembrou de informar Manuela Ferreira Leite, porque ninguém tratou de avisar José Sócrates? Um lapso de informação, um exemplo de desinformação ou, apenas, mais uma originalidade da ‘golden share'? Ou dito de outra forma: a fatia pode ser dourada mas está mal informada.
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Miguel Coutinho
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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

O teste do PEC

Sabe-se pouco do conteúdo do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) que o Governo apresentará aos parceiros sociais, aos partidos da Oposição e, finalmente, a Bruxelas.

 

O que se vai conhecendo - o Diário Económico revelou ontem que serão impostos limites de endividamento para as empresas públicas -, vai, no entanto, no caminho certo: medidas duras e restritivas, seguramente impopulares. O PEC é o mais importante documento que sairá das mãos do ministro das Finanças, já que define as linhas de orientação da política económica em Portugal até 2013. É, por isso, um teste à capacidade e coragem política do Governo. Mas, é, também, um desafio ao sentido de responsabilidade de sindicatos, confederações patronais e partidos políticos. Oxalá estejam à altura...


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Miguel Coutinho
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Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

Tempo de consensos na Cimpor

O fracasso da OPA da CSN sobre a Cimpor deixa a cimenteira com uma estrutura accionista assente em três blocos: duas empresas brasileiras, a Camargo e a Votorantim (esta coligada com a Caixa Geral de Depósitos), e o empresário português Manuel Fino. Provavelmente, a coexistência dos dois accionistas brasileiros terá um limite temporal. E esse facto torna ainda mais determinante a presença de um accionista português forte no capital da empresa, conferindo à Investifino uma responsabilidade acrescida na estratégia futura da companhia. A história recente da Cimpor aconselha vivamente a que os três blocos se entendam e esse entendimento passa pela apresentação de uma lista conjunta para os órgãos sociais na próxima assembleia geral que deverá ocorrer em Abril. A Cimpor já teve e já excedeu largamente a sua quota de jogadas de bastidores e de desentendimentos entre accionistas. Para uma das poucas multinacionais portuguesas é tempo de consensos.


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Miguel Coutinho
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Longe daqui, em Downing Street

Na Grã-Bretanha, acaba de ser publicado um livro que traça um perfil surpreendente de Gordon Brown. O primeiro-ministro inglês é descrito como um ser humano déspota e calculista, com ataques de fúria recorrentes e incapaz de delegar. O jornalista Andrew Rawnsley é o autor da obra que, segundo a imprensa internacional, relata alguns dos episódios da ira de Brown. O primeiro-ministro é descrito como um praticante devoto do tiro ao alvo com telemóveis, acertando frequentemente com esses objectos nos seus assessores. O livro relata, ainda, um episódio segundo o qual Brown, irritado com a lentidão da sua secretária, empurrou-a da mesa de trabalho e começou ele próprio a dactilografar uma carta. Retrato de um primeiro-ministro em fúria. Longe daqui, em Downing Street.
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Miguel Coutinho
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Os limites de um drama

De regresso a Lisboa, José Sócrates disse a Alberto João Jardim: “Talvez seja esta uma boa altura de nos entendermos”.

 

A enxurrada parece ter levado em definitivo a polémica que encheu páginas de jornais e fez tremer a estabilidade governativa. Insistir na conflitualidade em torno da Lei das Finanças Regionais - face à dimensão da tragédia que afectou a Madeira - seria um exercício gratuito e até inexplicável. O primeiro-ministro - que esteve bem na decisão de ir à Madeira - terá o bom senso para saber que toda a dramatização política tem um limite. E a hora agora é de governar.


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Miguel Coutinho
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Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

Ruído de fundo

O interminável rol de audições parlamentares e a publicação das escutas em fascículos estão a contribuir para a banalização de um caso que poderia e deveria ter consequências políticas.

 

A sensação que existe é que a disputa política tomou conta do caso, politizou-o, e isso torna cada vez mais difícil distinguir os factos da leitura e até da mistificação a que eles são sujeitos. Em suma, com a Justiça deliberadamente distanciada do caso, a opinião pública começa a manifestar cansaço e incapacidade para filtrar o essencial. Sem um escrutínio isento e acima das partes, o caso PT/TVI está reduzido a interpretações. Tudo acabará, mais uma vez, num conveniente ruído de fundo?

 

Na política portuguesa, todas as palavras têm o seu momento áureo. Mudança, por exemplo, é um clássico que está sempre na moda. Crise é uma inevitabilidade. Oásis teve o seu tempo. Pacto não pegou. Diálogo tem, por regra, uma vida curta. Todas elas captam o ar do tempo. Sintetizam um sentimento colectivo. São um barómetro das nossas emoções e expectativas. É eloquente que a palavra que define os tempos que correm seja insulto. O insulto tornou-se a palavra fetiche do primeiro-ministro, o seu principal argumento contra os ataques de que tem sido alvo. Como defesa é reactivo, como mensagem mobilizadora é pobre. Mas, o insulto parece fazer o seu caminho numa sociedade crispada e sem espaço de sonho. Até o recém-chegado Fernando Nobre diz que a ligação da sua candidatura a Mário Soares é um insulto. A utilização recorrente da palavra não augura nada de bom. Faz, sim, supor que a política portuguesa se assemelha cada vez mais a um túnel de acesso aos relvados.

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Miguel Coutinho
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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

Um ‘Fait Divers' chamado busto

Entre escutas, buscas e audições, os portugueses inventaram um novo passatempo - quem é a mulher dos nossos dias que poderia inspirar o busto da República? A carga no país é, de facto, muito negativa: os "Ídolos" acabaram, o desemprego continua a aumentar e até o Luís Figo está a ser investigado. Ora, o tema do busto da República é bem capaz de trazer algumas alegrias ao bom povo macambúzio - em última análise, estamos a falar de uma mulher em ‘topless'... Num programa matinal de rádio, o debate está aceso. Um ouvinte avança com o nome de Lili Caneças. Risada geral. Chego ao escritório e leio uma entrevista da comentadora de TV (claramente uma profissão de futuro) no Correio da Manhã. Lili conta que o avô, para a adormecer, lhe lia livros do Guerra Junqueiro escritos do Além. Não sei se temos busto mas que esta mulher é um extraordinário ‘fait divers' , lá isso é...
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Miguel Coutinho
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A Política

Um amigo meu costuma dizer que a política destrói valor. O escritor brasileiro Carlos Heitor Cony di-lo de outra forma: “Não fosse a política, todos poderíamos ser melhores”.

 

Não partilho deste radicalismo sobre a política, mas, os últimos dias confirmam que ela é uma das mais poderosas armas de extermínio de amizades. O que sucedeu entre Paulo Rangel e José Pedro Aguiar Branco não parece ter regresso. E o que aconteceu entre Mário Soares e Manuel Alegre já deu frutos que estão longe de exprimir os melhores sentimentos. O patrocínio da ala soarista à candidatura de Fernando Nobre - independentemente das suas evidentes qualidades -, é, sobretudo, a expressão de uma inimizade. A política não se faz de boas maneiras. É, sim, um trilho acidentado e impróprio para ingénuos.


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Miguel Coutinho
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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010

Um par de cornos generalizado?

Apesar de ainda estarmos em Fevereiro, já é possível entregar o prémio do enigma empresarial do ano. E ele vai direitinho para a PT: quem acredita que os dois administradores nomeados pelo Estado pudessem ter urdido um plano para comprar a TVI sem o conhecimento dos órgãos sociais da companhia? Os actos dos dois administradores devem ter consequências - mesmo que, no final do dia, elas se resumam à saída da empresa ou a uma indemnização que, segundo a imprensa, poderá atingir cinco milhões de euros. Mas, numa sociedade cotada e transparente, há que ir um pouco mais fundo na atribuição de responsabilidades. Existirá alguém na PT que, na expressão de Granadeiro, não tenha sido "encornado" no negócio da TVI? Ou foi mesmo um par de cornos generalizado?
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Miguel Coutinho
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Intervalo para publicidade

Semana para vestir o melhor fato de domingo: a Comunicação Social inicia uma digressão pelo Parlamento e José Sócrates está de visita ao PS profundo.

 

Há uma certeza sobre as audições na Assembleia da República: as trinta personalidades ouvidas convergirão na defesa das liberdades de imprensa e de expressão mas divergirão sobre a leitura da realidade. E outra certeza sobre o PS profundo que receberá o ‘road show' do primeiro-ministro: os militantes socialistas convergirão na leitura do contexto político (não é o momento para uma alternativa interna a Sócrates), mesmo que desaprovem o código de conduta da liderança. No Parlamento e no PS, tal como na televisão, também há intervalo para publicidade.


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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

Pequenez

Um sintoma inequívoco da nossa pequenez é o impacto das vicissitudes do poder político na vida e no desempenho das grandes empresas.

 

Duas das multinacionais portuguesas de que nos orgulhamos vivem momentos de desnorte. A PT está subitamente no epicentro de uma crise política, com a ‘golden share' do Estado transformada numa verdadeira ‘trouble share'. E a Cimpor é hoje o campo de batalha de três grupos empresariais brasileiros, com a Caixa Geral de Depósitos, que representa o Estado, a tomar partido e a contribuir para o caos em curso. Triste papel o do Estado. Triste sina a das empresas.

 

A economia angolana tem sido movida por dois combustíveis: o petróleo e a "gasosa". Este último é um dos mais terríveis vícios do país e tem contribuído para a justa percepção de Angola como uma das nações mais corruptas do mundo. O Governo angolano, como aqui escrevi na sexta-feira, começa a dar alguns passos no combate à corrupção na administração pública. O mais importante diploma deste plano é a Lei da Probidade Administrativa (foi aprovado no dia 12 de Fevereiro pelo Conselho de Ministros) e o seu objectivo foi definido pelo Presidente José Eduardo dos Santos: "desencorajar os órgão e agentes públicos que queiram fazer do erário público uma fonte de enriquecimento ilícito". Antes mesmo da aprovação da lei, trinta angolanos, alguns detentores de altos cargos públicos, foram detidos por participação numa fraude de grande dimensão no Banco Nacional de Angola. Sabe-se que a corrupção não acaba por decreto, sobretudo quando está instalada em vários níveis da hierarquia. Mas, a "gasosa" em Angola já viveu melhores dias.

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Miguel Coutinho
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