Quarta-feira, 31 de Março de 2010

A purificação das almas políticas

O período de nojo é o processo de purificação das almas políticas depois de saírem do Governo e antes de entrarem nas empresas. Para alguns, o tempo, necessariamente penoso, que medeia entre fazer contactos e ganhar dinheiro.


O sociólogo Boaventura Sousa Santos propôs ao Parlamento que essa purificação deve durar dois anos no caso dos ex-governantes que sejam convidados a integrar administrações de empresas públicas. E, já agora, para ser coerente, essa restrição deveria ser alargada às empresas onde o Estado detém uma posição minoritária ou indirecta. A medida é aconselhável, mas, uma vez mais, a questão central está em saber se o ex-ministro ou o ex-secretário de Estado têm, findo o período de nojo, habilitações técnicas para o cargo, assegurando que essa nomeação não seja uma mera recompensa pelos serviços políticos prestados.

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Terça-feira, 30 de Março de 2010

Nós e o Brasil

Esta crónica de “A Face Visível” fala português com sotaque. Uma semana em São Paulo é mais do que suficiente para perceber a influência norte-americana na cultura empresarial brasileira.


A começar pelo estímulo da comunidade de negócios ao ‘challenger' que desafia, traz novas ideias e, por isso, cria valor. Tão diferente de Portugal em que o desafiador é sempre encarado como um intruso que tem a inaceitável ousadia de mexer com direitos quase de natureza divina e socialmente cristalizados. Afrontar, contestar, debater, são sinais da inteligência e do dinamismo de que são feitos os negócios.

Os brasileiros cultivam uma atitude de desafio. A velha sociedade portuguesa, sempre preconceituosa e avessa à renovação, encara o desafiador com desconfiança, simulando horror com tamanho descaramento. E faz tudo para lhe minar o caminho. A economia brasileira avança. A nossa, é o que é.

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Segunda-feira, 29 de Março de 2010

Passos Coelho e a oposição Xanax

É público e notório que em Portugal o poder cai frequentemente do céu aos trambolhões e talvez por isso seja grande a tentação de fazer uma oposição movida a Xanax .


Na blogosfera, houve mesmo quem comparasse o discurso de vitória de Pedro Passos Coelho à tomada de posse do presidente da Inatel - querendo com isto significar que o novo líder do PSD prescindiria agora dos temas mais polémicos e da agressividade da campanha. Não creio que Passos Coelho vá por aí: a consensualização em excesso, além de enjoativa, costuma acabar naquilo que, em política, se designa por pântano. Do governo sombra, que Passos Coelho prometeu, esperam-se políticas alternativas e rupturas com o ‘way of life' socialista. Ditas com a mesma determinação que Sócrates costuma usar..

 

Os salários dos outros
Francisco Louça adora falar dos salários dos outros. Agora descobriu que, entre outros, Armando Vara ganha o dobro do que Barack Obama. O tema é bom para inflamar plateias, mas, o que poderá ser eticamente reprovável em Vara não são os valores da sua remuneração são outros valores. Quanto ao salário, é apenas o que a sua empresa e o mercado julgam ser adequado.

 

A força do Brasil
A imunidade à recente crise económica mundial colocou o Brasil como oitava maior economia do mundo, tendo ultrapassado a Espanha e o Canadá. O critério do ‘ranking' é a medição do PIB em dólares. As oito maiores, segundo o Economist Intelligence Unit, são os EUA, o Japão, a China, a Alemanha, a França, o Reino Unido, a Itália e o Brasil. A principal razão do sucesso brasileiro é, também, o seu maior risco: uma economia ainda muito fechada sobre si própria.

 

miguel.coutinho@economico.pt

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Sexta-feira, 26 de Março de 2010

Manuela e o que dizem de nós

Leio numa das principais colunas de opinião do Estado de São Paulo: “Portu-gal  vai escorregando para o mesmo abismo da Grécia.” Na Folha de São Paulo, outro analista comenta os protestos e greves na Grécia e prevê que “nas ruas tranquilas de Lisboa a temperatura comece a aumentar”. As agências de ‘rating’ podem estar desacreditadas – há quem compare o seu trabalho ao daqueles que, depois das batalhas, louvam os vencedores e dão o golpe de misericórdia nos feridos –, mas as suas avaliações são lidas e fazem doutrina. O mercado é generoso na abundância e cruel na escassez. E, definitivamente, não nos avalia apenas pelo que somos, mas, também, pelo que pensam e dizem de nós. E está de olho em Portugal. Sobretudo, por isso, a decisão de Manuela Ferreira Leite de viabilizar o PEC era a única possível e responsável.

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Momento Zen

O momento ‘zen’ no ponto mais alto da crise é, por mérito próprio, de Paulo Azevedo. O CEO da Sonae disse: “Acho que ganho muito dinheiro, mas não sei quanto dinheiro é, não olho para isso”. Bem-aventurados os que não sabem nem precisam de olhar.

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Momento Circo Chen


O Presidente Chávez, amigo de Portugal, da Nossa Senhora de Fátima e do computador Magalhães, tem uma queda natural para os números de circo. Com a Venezuela a braços com uma crise no abastecimento de energia, Chávez decretou que  segunda, terça e quarta feiras da Semana Santa vão ser dias feriados, com o objectivo de reduzir o consumo de electricidade. É a teoria “se não há dinheiro, não há palhaço’’ agora aplicada à economia. O momento Circo Chen é de Hugo Chávez.

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Quinta-feira, 25 de Março de 2010

Mais pobres, mas prestigiados

A agência Fitch reduziu a classificação da dívida portuguesa, colocando ainda mais pressão no Governo português. A agência de ‘rating’ justifica a perspectiva negativa sobre a economia portuguesa com a constatação de que o seu potencial de recuperação é inferior ao dos outros países da zona euro. As fundações do país tremem, mas, o orgulho nacional não vacila. Sucedem-se as congratulações e os auto-elogios com a nomeação de Vítor Constâncio para o Banco Central Europeu. Gostamos que nos prestigiem. Foi assim com Durão Barroso. É assim com Vítor Constâncio. Aqueles que pensamos serem os melhores, fazem pela vida lá fora. Nós ficamos mais pobres, mas prestigiados.

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O passado da TAP continua a engolir o seu futuro

Com um lacónico comunicado, pilotos e administração da TAP colocaram um ponto final na greve da TAP. O acordo é uma saída airosa para ambas as partes. Mas, pouco convincente. A empresa ganha mais um balão de oxigénio. Fernando Pinto deverá ter hoje menos paciência. Os pilotos sentem-se mais injustiçados. O passado da companhia continua a engolir o seu futuro. A unidade de que fala Fernando Pinto tem prazo de validade. Do mal o menos, os aviões estão no ar...

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Eu é que sou a Presidenta

No Brasil, um debate interessante. A equipa de marketing de Dilma Rousseff decidiu que a candidata a Presidente será tratada na campanha por Presidenta – e, se for eleita, assim será chamada oficialmente. Os marketeiros acreditam que o tratamento no feminino reforça a ideia de uma mulher na Presidência e reforça os laços afectivos com o eleitorado. Uma ideia a seguir pelas mulheres socialistas que querem uma mulher no governo do Banco de Portugal. Que venha a candidata a Governadora...

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Quarta-feira, 24 de Março de 2010

O molho de bróculos, os independentes...

Ninguém parece querer assumir o pagamento das viagens da deputada  Inês de Medeiros a Paris. “Eu é que não as pago”, diz a também actriz  e realizadora de cinema. Ela tem razão: quando foi convidada para ser deputada garantiram-lhe o pagamento das viagens até à cidade onde vivia e onde reside a sua família.

O PS e o PSD têm uma predilecção especial para escolher independentes para as suas listas de deputados. Quase sempre figuras públicas, os independentes são uma flor na lapela e um sinal de abertura à sociedade civil que os partidos adoram ostentar. Por vezes, a lua-de-mel com os deputados independentes acaba mal pela insistência destes em comportarem-se como independentes. Acrescente-se agora outro problema: têm o bom gosto de viver em cidades como Paris. O molho de bróculos, estes independentes...

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‘Follow the money’

Entre os poucos direitos que ainda restam aos contribuintes portugueses conta-se a possibilidade de consignarem 0,5% do seu imposto a uma instituição de solidariedade social. É uma forma de seguir o rasto ao dinheiro que vamos dando ao fisco. O contribuinte pode optar por uma das 108 instituições aceites pelas finanças. Entre elas, a associação de reformados e idosos de Cacilhas, a casa do artista e a AMI. ‘Follow the money’...

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E agora as flores

A florista ”nada mais nada menos” foi notícia no jornal por ter celebrado um contrato de fornecimento de flores no valor de 63 mil euros com a residência oficial do primeiro-ministro. O excrutínio público é uma das virtudes da democracia. Mas, se começamos a desconfiar do que se gasta em flores, lavandaria ou papel higiénico, vamos, seguramente, pelo mau caminho.

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Terça-feira, 23 de Março de 2010

O futebol precisa de um PEC…

O futebol português precisa urgentemente de um programa de estabilidade e crescimento. O retrato é preocupante:  clubes endividados que gastam o que não têm e claques pouco recomendáveis que fazem o que não devem. O futebol é quase sempre um termómetro do potencial de conflitualidade social. Vale a pena lembrar a cronologia dos incidentes registados no domingo junto ao Estádio do Algarve – a claque do Futebol Clube do Porto chegou à zona norte do estádio, depois de confrontos com a polícia na estação de serviço de Alcácer do Sal e na portagem de Paderne; os autocarros pararam num descampado cheio de pedras; os adeptos portistas saíram dos autocarros e arremessaram pedras contra alguns benfiquistas que estavam nas imediações; a GNR chegou “ligeiramente atrasada”. Eis o retrato que o futebol insiste em transmitir de si próprio: violência, desrespeito pelas autoridades, intolerância com os adversários, ausência de ‘fair play’. O futebol precisa de reencontrar valores, de assentar os pés na terra, de disciplina, estabilização e  de crescer de forma sustentada. A economia precisa de um PEC que recentre as suas prioridades e elimine comportamentos desviantes. O futebol também.

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… e a TAP de juízo

Tinha prometido não viajar nunca mais na Ibéria, desde que a companhia de aviação espanhola perdeu as malas na minha lua-de-mel. Nunca dei muita importância aos provérbios populares, mas, por experiência própria, posso asseverar que de Espanha até pode vir bom vento, mas, não vem, certamente, bom casamento. Pois é, caro leitor, as promessas fizeram-se para ser quebradas: no dia em que lê esta crónica, estou a caminho de São Paulo a bordo de um avião da… Ibéria. Tal como muitos passageiros frequentes da TAP que não arriscam ser apanhados pela greve de pilotos da companhia. Segundo a imprensa, têm sido vários os apelos ao bom senso dos pilotos – do Governo às associações de turismo, viagens e hotelaria, passando pelos trabalhadores de terra da TAP. Tudo em vão. Os pilotos mantêm-se barricados na sua torre de marfim. Enquanto quebro, contrariado, a minha promessa de anos, continuo sem perceber a razão de tanta intransigência.

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Sexta-feira, 19 de Março de 2010

Comissão parlamentar: uma novela sem a estrela principal

Tudo indica que o primeiro-ministro responderá por escrito à comissão de inquérito sobre a actuação do Governo no negócio da TVI. A ausência de José Sócrates é um rude golpe nas audiências da comissão – dois meses em cartaz sem a estrela principal não augura um futuro radioso à novela parlamentar.

No entanto, o depoimento por escrito parece a via mais sensata numa comissão que, em bom português, se destina a saber se o primeiro-ministro mentiu ou não ao Parlamento e aos portugueses. Não será, certamente, a acareação de um político experimentado como José Sócrates, que fará luz sobre o caso. Nem mudará a convicção, favorável ou desfavorável ao primeiro-ministro, que os portugueses, entretanto, formaram sobre o seu comportamento.

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