Sexta-feira, 30 de Abril de 2010

Estes são tempos excepcionais, mas….

A questão politicamente relevante é esta: José Sócrates é mais frágil desde que começou a cultivar relacionamentos no PSD? Não creio que o facto de o primeiro-ministro ter trocado elogios com Alberto João Jardim ou ter aceite ouvir e posar ao lado de Pedro Passos Coelho, o torne mais vulnerável ou possa ser entendido como um sinal de fim de ciclo político. Pelo contrário. José Sócrates é um político excepcionalmente arguto, capaz de ser camaleónico na forma como salta da pele de animal feroz com a Comunicação Social para um estado de nirvana e de absoluta generosidade e disponibilidade com o principal partido da Oposição. O primeiro-ministro sabe que quanto mais matizar as diferenças com o PSD, menor será a capacidade de discernimento do eleitorado para escolher uma alternativa. Estes são tempos excepcionais, mas, o eleitorado está confuso. Querem o PS e o PSD exactamente a mesma coisa com outros protagonistas? A armadilha existe e Pedro Passos Coelho tem a obrigação de esclarecer esse ponto. Agora. Dentro e fora de portas.

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Os deputados e a Comissão de Inquérito

A comissão de inquérito que as televisões consagraram tem tanto de mediática como, receio, de ineficaz.  Ela tem servido para evidenciar os vários graus que separam uma verdade de uma mentira, além de se ter tornado uma montra de ajustes de contas, exercícios de hipocrisia e contradições variadas. Se ela tem, paradoxalmente, uma virtude, é a capacidade de revelar, ao vivo e em directo, a qualidade de alguns deputados, dignificando a função de deputado perante o país. A preparação e o empenhamento de deputados como João Oliveira, Cecília Meireles, João Almeida, Pedro Duarte, João Semedo e Miguel Laranjeiro (apesar da ingratidão da sua tarefa), dignificam o Parlamento e contribuem para mudar a percepção dos portugueses sobre o papel dos deputados.

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Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

Nasceu ontem o Bloco Central dos Aflitos. A criança está bem, na medida do possível

Nasceu ontem às 11.30 da manhã, o novo Bloco Central. O recém-nascido encontra-se bem, na medida do possível, e não adoptou o apelido dos pais – assim, chamar-se-á Bloco Central dos Aflitos e não dos Interesses. Apesar de um pouco atarantados, os pais – PS e PSD –, estão a ponderar convidar os mercados internacionais e os especuladores, responsáveis por esta imprevisível união, para padrinhos da criança. Segundo apurámos, estes terão colocado como condição para aceitar o convite a responsabilidade pela educação da criança que será, desde a mais tenra idade, absolutamente espartana. Os pais estarão, ainda, proibidos de mimar a criança com luxos dispensáveis e estão intimados a habituá-la a viver com o que tem e não com o que gostaria de ter.

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90 minutos bem empregues

José Sócrates e Pedro Passos Coelho estiveram bem na forma concertada como prometeram resposta a um “ataque especulativo sem fundamento” ao euro e à dívida soberana portuguesa. Ambos fizeram o que era suposto: colocar o interesse nacional à frente dos interesses circunstanciais de cada um. Parece, também, evidente que face à tibieza europeia numa defesa inequívoca do euro e das economias mais frágeis da zona euro, Portugal tem de fazer o trabalho de casa – e este passa  por uma maior ambição e assertividade das medidas concretas de redução da despesa pública. Passos Coelho tem o mérito de ter tomado a iniciativa e de ter revelado disponibilidade para construir uma solução. Sócrates tem a possibilidade de conduzir o país num momento de particular dificuldade. Os 90 minutos que durou a reunião em São Bento parecem ter sido bem empregues.

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Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

A greve

Qualquer greve em Portugal evidencia que patrões e sindicatos não tiveram o mesmo professor de matemática. As contas nunca batem certo: onde um patrão vê oito, um sindicalista logo descortina oitenta. Um passeio por Lisboa permitia, porém, ver autocarros e eléctricos em actividade e, aparentemente, os comboios entre a margem sul do Tejo e a capital circulavam dentro da normalidade. Com excepção das ligações fluviais entre Lisboa e a outra banda, que estiveram consideravelmente abaixo do habitual, o fervor sindicalista já parece ter vivido melhores dias. A percepção de que a economia portuguesa vive um período crítico parece começar a generalizar-se, vencendo dogmas e a visão utópica de que esta é uma sociedade de direitos, com pouquíssimos deveres.

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Se fosse um cocktail, era Molotov

Em Portugal, um político que queira causar impacto numa audiência tem de falar na ética republicana e nos salários dos gestores e dos banqueiros. A junção dos dois ingredientes, se fosse um cocktail, poder-se-ia chamar Molotov, dadas as suas características incendiárias. Independentemente da discussão do que é um salário justo ou adequado, convém lembrar que esta corrente de ar opinativa com intuitos moralizadores é relativamente recente. Nas décadas de 80 e de 90, praticavam-se remunerações generosas e prémios sumptuosos. Na primeira década do novo século não foi diferente. Admitamos que o tema tem hoje a importância para algumas pessoas que não teve no passado. Admitamos que as coisas mudam. E as modas também.

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Uma multinacional de língua portuguesa

O alinhamento astral parece confirmar a Petrobrás como o próximo accionista de referência da Galp Energia.
É uma boa notícia, tal como sublinhou Teixeira dos Santos. O ministro das Finanças falou do assunto  em Luanda, o que tem um óbvio significado.
A confluência da Sonangol, da Petrobrás e do accionista português Américo Amorim no capital da empresa, abre novos mercados e confere à petrolífera uma dimensão de multinacional de língua portuguesa.

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Terça-feira, 27 de Abril de 2010

O IEFP sofre de dupla personalidade?

O CDS chamou a atenção para o facto de o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) se preparar para renovar a sua frota automóvel, gastando 1,5 milhões de euros em 400 carros novos. É muito dinheiro e muito carro, mas admitamos, com benevolência, que as viaturas sejam necessárias para a realização da missão do instituto. Por outra via, alertaram-me para outro facto que, a confirmar-se, é também, extraordinário. Haverá cada vez menos projectos aprovados pelo IEFP no âmbito do programa de empreendedorismo que incentiva os desempregados a criarem o seu próprio emprego. Alegando “inviabilidade económico-financeira”, “risco económico” ou incerteza para garantir que o emprego seja mantido, o IEFP responderá, assim, aos tempos difíceis, apertando os critérios de atribuição do incentivo e aumentando a taxa de indeferimento. A ser verdade, repito, o IEFP tem mesmo dupla personalidade: gastador nos carros, poupadinho quando se trata de apoiar o espírito de iniciativa dos desempregados.

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A verdade é como o azeite

Um estudo publicado pelo Bank of America Merryl Linch deixa claro que a situação da economia portuguesa é totalmente distinta da vivida pela Grécia. Portugal, explica a instituição norte-americana, é o segundo país mais vulnerável da zona euro, mas, a uma distância considerável da Grécia – numa escala de vulnerabilidade de zero a dez, Portugal tem uma nota de 5,2, enquanto a média da zona euro é de 4,1 e a Grécia atinge os 7,9. O Bank of America faz ainda um elogio à credibilidade das estatísticas portuguesas por contraponto à falta de fiabilidade das gregas. Sem polémicas desnecessárias e desgastantes entre o Governo português e os analistas internacionais, a verdade começa a vir ao de cima. Como o azeite…

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Análise do Wall Street Journal

Portugal ficou sob pressão dos mercados financeiros na semana passada, motivando preocupações de que poderia ser o próximo país da zona euro a soçobrar perante o peso da dívida pública, mas a maioria dos economistas diz que o país está mais bem posicionado para resolver os problemas”.

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Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

E O Governo escolheu… bem

Independente, rigoroso, experiente. A escolha de Carlos Costa preenche o perfil desejado e cumpre os três requisitos indispensáveis para o cargo de Governador do Banco de Portugal. Está de parabéns o Executivo por ter escolhido com critério e por ter evitado a tentação de premiar um ex-governante. Pode sossegar a Oposição: o banco central está bem entregue. Carlos Costa dá garantias pela sua vasta experiência no sector financeiro, mas, também, pelo seu carácter. Poucos são os que, tendo atingido o topo, preservam, como ele, a simplicidade e cultivam a modéstia. O que se espera do novo Governador é, simultaneamente, trivial e complexo: mais eficácia na supervisão bancária e análises e previsões rigorosas e impermeáveis ao poder político.

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Inês de Paris em Lisboa

Portugal gosta de gastar milhões e discutir tostões. As viagens da deputada Inês   de Medeiros a Paris tornaram-se uma novela humilhante para a própria e, sejamos honestos, pouco dignificante para o Parlamento. Se ela foi eleita e tem a família e casa em Paris, não se compreende a polémica sobre o seu evidente direito a viagens semanais. Pode questionar-se a escolha para as listas de deputados de pessoas que vivam em Paris, Londres, Pequim ou na Conchichina. Mas, enquanto não se legislar em sentido contrário, um cidadão português que vive no estrangeiro tem o mesmo direito de ser deputado do que outro que mora em Sintra, no Fogueteiro ou nas Caldas Rainha. Se isto é um luxo incomportável, então, mude-se  a lei. Voltemos aos factos: o Parlamento gastará seis mil euros com Inês. É muito? Se ela vivesse na Rinchoa, gastar-se-ia, de facto, menos. Aposto, todavia, que, não será de longe nem de perto, o maior desperdício na casa da Democracia…

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Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

“Não coma, não gaste, mas, venha ver os ricos”

Os avisos aos países mais pobres da União Europeia – e é bom recordar aos mais distraídos que somos um deles! –, são quase diários: tenham juízo, poupem, consolidem, cortem, façam dieta. Neste ambiente induzido de susto continuado, com o alto patrocínio do mercado e dos especuladores, Bruxelas teve uma ideia verdadeiramente alucinogénea: custear em 30% todas as viagens de pessoas com mais de 65 anos, jovens e famílias com dificuldades a qualquer país da União Europeia. Os objectivos são, segundo o secretário de Estado do Turismo português, a democratização do acesso a férias e o combate à sazonalidade do sector. A ideia foi compreensivelmente aplaudida pela indústria de turismo que já se vê a carregar magotes de velhinhos, malta que recebe o rendimento mínimo garantido e jovens adolescentes e as suas borbulhas para Amesterdão, Londres ou Estocolmo. Deixo aqui uma ideia para a campanha desta generosa iniciativa: “Você é um gastador do Sul: não coma tanto, não gaste, não desperdice. Mas, venha ver os ricos do Norte que nós pagamos 30% da viagem”.

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Um futuro pouco recomendável

De que terão falado José Sócrates e Pedro Passos Coelho no primeiro encontro formal entre primeiro-ministro e líder da Oposição? Terão assistido ao Inter de Milão- Barcelona? Terão debatido as vantagens da comida italiana, de que Sócrates é entusiasta, por contraponto à comida angolana, que recolhe a preferência de Passos? O que se constatou ontem no debate parlamentar é que os dois maiores partidos, e os seus líderes, não se entendem no essencial. As propostas do PSD para reduzir a despesa pública em 1% do PIB podem ser uma “mão cheia de nada”, como referiu o ministro da Economia, mas, eram, uma porta entreaberta para alguma convergência numa altura em que o país está na mira dos especuladores. Portugal vai atravessar tempos difíceis num clima de conflitualidade entre as duas maiores forças políticas. Um deles ganhará no futuro. Esse, o futuro, é que não se recomenda.

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Quarta-feira, 21 de Abril de 2010

A Caixa, o novo cobrador de fraque

A Caixa Geral de Depósitos assumiu o papel de cobrador de fraque das assembleias gerais das empresas onde participa. Enviada pelo Estado, a Caixa não faz cobranças difíceis, mas, tem uma missão ingrata e até ciclópica: convencer os accionistas da PT, da Zon ou da EDP a reduzirem 5% do salário fixo dos gestores que integram as administrações e suspender provisoriamente os prémios. Como seria de esperar, os accionistas têm respondido à pretensão com uma atitude que oscila entre o manguito e a indiferença. Os accionistas são iguais em todas as partes do mundo: querem, acima de tudo, resultados e uma equipa de gestão motivada para atingi-los. A moralização das remunerações é uma linguagem política de difícil tradução para o dialecto empresarial. Sobretudo, em empresas em que os resultados não são problema. Os gestores da Caixa sabem-no mas, em tempo de crise, cabe-lhes vestir o fraque.

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