Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

O momento ‘Kung Fu’ castelhano

O apetite voraz da Telefónica sobre a PT não favorece Espanha na sua relação com Portugal, ressuscitando uma arrogância castelhana que se supunha arrumada nos manuais de História. Foi, aliás, essa mesma arrogância que marcou a entrada da Telefónica no Brasil, alterando os tradicionais “orelhões” e escolhendo apenas espanhóis para os cargos de chefia. Dito isto, há que admitir que o potencial de conflito entre a PT e a Telefónica existia há demasiado tempo. O casamento na Vivo é de conveniência e as parcerias com posições iguais acabam normalmente em divórcio. Depois deste momento de ‘Kung Fu’ castelhano , não restam dúvidas que o tema precisa de solução – e as autoridades brasileiras terão, também, uma palavra. Há, no entanto, um mínimo de decoro nas relações entre grandes empresas que têm, evidentemente, um peso estratégico e político nos seus países. Todos sabem disso. Os espanhóis tendem, por vezes, a esquecê-lo.

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O último dos sacrifícios

A redução de apoios ao subsídio de desemprego é mais um sacrifício num país sacrificado. Mas, convenhamos, que deveria ser o último dos sacrifícios. Uma das medidas congeladas é o prolongamento por mais seis meses do subsídio de desemprego – o seu desaparecimento afectará 50 mil pessoas e representará uma poupança de 40 milhões de euros. É dinheiro, sem dúvida. Mas, desculpem  a ingenuidade: não haveria outro sítio onde cortar? Nas comemorações do centenário da República? Nas frotas automóveis? Em combustível? Em cerimónias públicas? Em despesas de representação? E não vejam, por favor, na pergunta nenhum resquício de demagogia.

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Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

O PS alegremente no labirinto

O PS entrou alegremente num labirinto para escolher o seu candidato presidencial. O candidato no terreno não é uma solução consensual agora e não o será daqui a dois ou três meses. Nem os fiéis de Soares, nem os fiéis de Sócrates se entusiasmam com a candidatura e, se a porta do labirinto for dar a Alegre, muitos deles farão como José Lello que já explicou que não fará campanha contra ou a favor. Simplesmente, acrescentou: “Não me vão ver lá”. A família socialista antecipa hoje, mais nome, menos nome, as fracturas que a sucessão de Sócrates provocarão no futuro. Por ora, o PS diverte-se no labirinto, apesar de ter perdido, uma a uma, as suas bandeiras eleitorais e de estar a meses das presidenciais sem convicção nem candidato. O PS está alegre, por enquanto.

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Ilhas num continente de austeridade

Segundo o Diário Económico, o congelamento nas admissões para a função pública não se aplica aos gabinetes dos ministros. É provavelmente uma verba irrisória no conjunto da despesa pública mas é em detalhes como este que os governos ganham a legitimidade para exigir sacrifícios. Se os gabinetes ministeriais são ilhas num continente de austeridade, quem levará a sério os políticos que nos impõem medidas draconianas?

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A desconfiança é uma questão de horas

As principais empresas e o Governo parecem empenhados em mostrar em Wall Street um Portugal positivo, comprometido com o equilíbrio das contas públicas e empenhado na defesa do euro. Iniciativas como esta valem mais do que mil declarações para consumo interno. Mas o seu prazo   de validade é curto. Exigem persistência e continuidade. Ganhar a confiança dos mercados leva anos. Perdê-la é uma questão de horas.

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Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

Um eurodeputado, um iPad

Cada um dos 736 deputados do Parlamento Europeu deverá receber, ao abrigo de um projecto de mobilidade na área de inovação e tecnologia, um iPad da Apple, cujo preço unitário ronda os 600 euros. Os eurodeputados tinham já sido mimados este ano com um potente portátil da Hewlett Packard que, segundo deputados citados pelo Sunday Times, é “difícil de usar” em comparação com o iPad. Com a Europa atordoada por uma crise económica e financeira, o Parlamento Europeu pondera investir 500 mil euros em iPad, num total de cinco milhões destinados a melhorar a mobilidade dos seus deputados. Uma deputada britânica comentou: “Disseram-nos que o iPad permitir-nos-á manter o contacto fora do escritório ou nas férias. O problema é que muitos dos eurodeputados nem sequer sabem usar a internet”. Ora aí está o problema do Parlamento Europeu e dos seus deputados: se alguns são info-excluídos assumidos, outros preferem auto-excluir-se da realidade.

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Exemplos concretos que as pessoas percebem

Existem pequenos detalhes que tornam uns países mais credíveis do que outros na forma como decretam a austeridade. No Reino Unido, o novo Governo limitou drasticamente a utilização de carros oficiais com motorista pelos ministros, encorajando-os, sempre que possível, a usarem transportes públicos. A utilização de carros oficiais ficou restringida para deslocações a distâncias significativas de Londres. Só um número limitado de ministros terá direito a carro com motorista, podendo os outros recorrer a uma ‘pool’ de veículos que será partilhada por todo o Governo. Os funcionários britânicos deixaram, também, de poder viajar em primeira classe. Em Espanha, outro bom exemplo. O Governo de Castilla-La Mancha reduziu os seus membros de dez para sete e diminuiu o número de fundações, empresas municipais e organismos autónomos de 93 para 40. Exemplos concretos que as pessoas percebem.

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Terça-feira, 25 de Maio de 2010

Os artistas e o Fisco

O Fisco está intrigado com o facto de algumas das maiores estrelas do mundo artístico nacional terem uma “actividade intensa em Portugal e no estrangeiro” e declarações de rendimentos surpreendentemente baixos. Com a malha fiscal mais apertada, a fuga descarada ao pagamento de impostos está hoje mais dificultada. A criatividade no que respeita aos impostos irrompe, porém, na mais esconsa cave dos subúrbios. Se os mais poderosos descobriram, apoiados em consultores e técnicos, os super-poderes da eficiência fiscal e as suas infinitas potencialidades, a arte de fuga, ainda que mais fragilizada, continua a assentar no facto de o Fisco não estar dotado do dom da ubiquidade. E convenhamos que face ao ataque sistemático dos governos aos contribuintes, os faltosos não serão heróis, mas são, pelo menos, equiparados, no imaginário colectivo, a grandes artistas.

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Em Portugal, a austeridade é sempre encarada como um capricho da natureza

Por inércia ou feitio, os portugueses não são muito de se indignarem. A carga fiscal, que é tudo menos ligeira, começa , porém, a suscitar alguma urticária no mais apaziguado dos cidadãos. “Mais uma vez sinto que me estão a ir ao bolso”, confessava o fiscalista Tiago Caiado Guerreiro, em declarações ao i. E o colunista João Pereira Coutinho dizia-o exactamente com as mesmas palavras. Creio que este sentimento crescente deve-se, também, à forma como as crises são explicadas pela classe política. Em Portugal, a austeridade é sempre  encarada como um capricho da natureza. Nunca como uma consequência de incompetência ou do laxismo.

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Yorgos Papandreu

Na Grécia existiam favores políticos, privilégios fiscais para os ricos, corrupção. A combinação de tudo isto  fez com que o sistema económico  fosse inviável. No final são os cidadãos quem paga os erros de gestão”.
Yorgos Papandreu, primeiro-ministro da Grécia, em entrevista ao El País

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Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

É uma nuvem de cinza? É um avião? Não, é a Super-Taxa que o Super-Sócrates inventou para nos impedir de ir a Torremolinos no Verão

É uma nuvem de cinza? É um avião? Não, é a Super-Taxa que o Super-Sócrates inventou para nos impedir de ir a Torremolinos no Verão.  A Super-Taxa, a que uns chamam sobre-taxa e outros adicional, nasce em Junho para incidir sobre a maioria dos subsídios de férias do sector privado e sobre a totalidade do subsídio pago aos quase 700 mil funcionários públicos. Afinal, já não é retroactiva – como o Governo anunciara –, nem vê a luz em Julho – como o Governo também anunciara. Nasce em Junho e é do signo Gémeos. Segundo os astrólogos, a Super-Taxa é extrovertida e comunicativa, como todos os nativos do signo. É pena estragar as férias a tantos portugueses….

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Abençoados os povos que não se tornam numa imensa classe média cada vez menos remediada. Como nós

A revista Veja diz que seis brasileiros da classe média tornam-se milionários a cada sessenta minutos. O milagre do Presidente Lula – que começou no mandato de Fernando Henrique Cardoso –, assenta numa política económica estável, na emergência de uma nova classe média de consumidores (estima-se que 23 milhões de pessoas ascenderam das classes D e E para a classe C em apenas oito anos) e numa economia auto-suficiente que é uma das maiores produtoras e exportadoras de soja, carne bovina, café, etanol e açúcar. No milagre brasileiro, milhões de pobres ascenderam à classe média e alguns destes são agora os novos milionários.  Abençoados os povos que não se tornam numa imensa classe média cada vez menos remediada. Como nós.

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Luís Campos Cunha

Como português, tenho pena, mas passámos a ser uma espécie de protectorado da Alemanha, do ponto de vista financeiro. Mas quando os nativos  não se sabem governar, uma boa dose de colonialismo não deixa de ser saudável”.
Luís Campos Cunha
À Visão

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Quinta-feira, 20 de Maio de 2010

A ausência de desculpas em Sócrates reforça o mito da sua determinação inquebrável

Um político deve pedir desculpa aos seus eleitores por aumentar os impostos ou congelar os salários? Deve penitenciar-se quando o défice aumenta e o endividamento dispara? A ausência de desculpas em Sócrates reforça o mito da sua determinação inquebrável. Um pedido de desculpas, como o de Passos Coelho, humaniza, mas, causa estranheza e segundas interpretações. O bom senso aconselha o arrependimento quando se mente ou se prejudica deliberadamente o país – mas, frequentemente, o pecador não partilha a má consciência com terceiros, guarda-a para si e trata dela nas suas memórias. Em política, o mal fica com quem o pratica. Normalmente até ao dia do juízo final – que costuma coincidir  com a data das eleições.

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Doutorados em fatalidades

Não é só a assertividade da afirmação que está em causa quando o presidente do BPI diz que: “O dia em que batermos na parede não está muito longe. Talvez por semanas. Lamento, mas o país temde saber”. O que é tão ou mais preocupante é o ritmo a que o país passou a transformar pessoas inteligentes e conhecedoras do que falam em doutorados em fatalidades.

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