Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

Os espanhóis estão boquiabertos. Ou fecham a boca ou abrem-na mais

Alguns órgãos de comunicação e alguma opinião publicada em Espanha estão chocados e até boquiabertos com o facto de Portugal ser um mercado politizado. Zeinal Bava é tratado como o novo Viriato, a CMVM é acusada de fomentar uma “ola” de patriotismo e o Governo de José Sócrates é visto como muito prepotente com as operações privadas. Enquanto não cai o queixo aos ‘nuestros hermanos’ será útil recordar que a Espanha não é propriamente o nirvana do mercado livre e está ainda mais longe de ser o inferno do proteccionismo. Se há coisa em que os espanhóis são tudo menos ingénuos é na forma discreta mas eficaz como apoiam as suas empresas e as protegem dos concorrentes estrangeiros. É compreensível que a Telefónica apreciasse mais facilidades no caminho para o Brasil. O que ninguém entenderia é que os portugueses não fizessem o mesmo que os espanhóis: ou seja, tudo o que está ao seu alcance para defender os seus interesses. Entretanto, recomenda-se que os espanhóis fechem a boca ou que, em alternativa, abram um pouco mais e revejam o preço que estão dispostos a pagar pela Vivo. E, de caminho, aprendam a ser um pouco mais humildes – nem que seja pelo facto de isso ser também um facilitador de negócios.

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O Procurador que procura sarna para se coçar

Ficou claro o que procura o Procurador Geral da República. Pinto Monteiro procura sarna para se coçar. Ontem disse  que “se corrermos a Europa não encontramos Justiça que esteja melhor do que a portuguesa”. O país não sabe se há-de rir ou chorar com as idiossincrasias do procurador. Uma coisa é certa: se corrermos a Europa, encontramos, com certeza, procuradores com aquilo que o nosso manifestamente parece não ter: os pés assentes na terra.

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Terça-feira, 29 de Junho de 2010

O enigma Queiroz

Sobre a selecção portuguesa de futebol circulam três teorias: a primeira diz que é o onze possível; a segunda garante que são dez mais Cristiano Ronaldo; e a terceira confirma que são dez com Ronaldo, apesar de Queiroz. Se a doutrina converge na vantagem de ter Ronaldo, diverge frequentemente sobre o contributo do seleccionador. O professor Queiroz é, de facto, um enigma. E o primeiro problema é defini-lo, apesar de ser sensato reconhecer que tem sobrevivido tanto aos fracassos como aos sucessos. Foi um óptimo seleccionador de jovens e um competente número dois no Manchester United. Falhou no Sporting e soçobrou no Real de Madrid. E manteve-se sempre à tona, mesmo nos piores momentos. Ultimamente tem estado entretido a transformar’ a selecção portuguesa numa montanha russa que oscila entre o sonho e o pesadelo. Hoje, terça-feira, é tempo de clarificações: Queiroz será um herói se calar a arrogância espanhola; e será simplesmente Queiroz se a selecção começar já  a fazer as malas. Suspeito, contudo, que, qualquer que seja o resultado, o enigma continua.

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Sócrates, Sondagens e PSD

Tal como as arbitragens no Mundial revelam uma tendência para o erro, as sondagens indicam uma inclinação do PSD para a maioria absoluta. Já escrevi nesta coluna que as sondagens têm prazo de validade e que, tal como no futebol, em política o que hoje é verdade, amanhã é mentira. No entanto, a solidão de Sócrates não é apenas um estado de alma: corresponde a um processo de desgaste pessoal e político que costuma anteceder as derrotas eleitorais. Saberá o PSD gerir um ciclo longo sem eleições, sem se comprometer demasiado com as políticas do Governo e sem ser acusado de irresponsabilidade? E saberá fazê-lo, tendo o poder à vista, como não acontecia há anos?

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Segunda-feira, 28 de Junho de 2010

Quando um não é o princípio de um sim

Uma das misérias portuguesas é a de sermos tão obsessiva e ostensivamente uma sociedade de aparências. Muitos dos que se destacam neste pobre rectângulo de vaidades e vacuidades – tornando-se ricos ou famosos ou acumulando as duas circunstâncias –, tendem naturalmente a retocar o seu passado e a reescrever a sua história. É uma regra socialmente aceite que se doure a pílula, transformando um pai contínuo num catedrático aposentado ou um humilde T2 na Baixa da Banheira numa casa senhorial nas Beiras. Surpreendemo-nos, pois, quando um empresário milionário e de sucesso conta a sua história real, sem omitir nem acrescentar capítulos, expondo a pobreza da infância e juventude, e falando, com uma simplicidade socialmente incómoda e difícil de preservar, do tempo em que apenas via os ricos na televisão. O que motiva Alfredo Casimiro, o fundador da Urbanos, na entrevista que deu este fim-de-semana ao Público, não é mostrar o que tem nem vangloriar-se pelo que fez. É simplesmente contar, sem artifícios, o exemplo de determinação e vontade de um miúdo casapiano que tirou da vida muito mais do que era suposto esta dar-lhe. O mesmo miúdo que aos dez anos com vinte e cinco tostões na mão (uma fortuna para ele) cobiçou uma bola de Berlim na montra   de uma pastelaria. O empregado pediu 35 tostões – Alfredo retirou as moedas, o empregado guardou o doce. Diz que é talvez por isso que não gosta de bolos. Mas, em vez do ressentimento ou da inveja, guardou apenas o sonho de ser alguém capaz de contrariar as suas circunstâncias e os preconceitos dos outros. Ainda bem que o discretíssimo Alfredo Casimiro aceitou ser primeira página de um jornal, não pelos seus sucessos empresariais, mas pela sua história de vida. Para nos lembrarmos sempre que um não também pode ser o princípio de um sim.

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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

No futebol somos melhores do que os que são melhores do que nós

Metade do país que conta está na África do Sul. Políticos, gestores e fazedores de opinião seguiram Cristiano Ronaldo com a mesma convicção com que Durão Barroso seguiu o cherne e com que Maomé amaldiçoou o toucinho. Há que compreender que um país pobre, endividado e do Sul, tem no futebol uma oportunidade única de redenção e, há que dizê-lo com frontalidade, de vingança contra a humilhação recorrente dos que nos tratam e retratam com benevolência, mesmo que irritada.

A verdade é que o país que decide, gere e opina está em trânsito, atrás do que realmente é importante: o futebol. Ninguém é campeão no défice orçamental ou passa às meias-finais do endividamento externo. Vibramos com o futebol porque nos permite derrotar os que são e fazem melhor do que nós. Uns dias por ano, temos a alegria de, no futebol, sermos melhores do que os que são melhores do que nós.

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A corrente de opinião em gestação

O candidato do PS à Presidência da República está preocupado com o facto de ver o partido tão “quietinho” e já admite a necessidade de afirmar uma corrente de opinião mais à esquerda. Não será, ainda, o grito de Ipiranga do PS que não se revê em Sócrates e na sua prática política mas é um sintoma significativo de que as carreiras políticas não se distinguem particularmente das carreiras futebolísticas – têm o seu apogeu e declínio, num curto espaço de tempo. Veremos as próximas sondagens e a forma como uma curva descendente do PS pode estimular uma maior intolerância às políticas do Governo da corrente de opinião em gestação.

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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

Quanto vale o futuro em dinheiro?

Na perspectiva de Henrique Granadeiro, a alienação da Vivo representa para os accionistas da PT um dilema entre o futuro e o dinheiro. É uma escolha sem hesitações quando a matriz de decisão incorpora factores emocionais, como a relação da equipa de gestão com a empresa, ou factores exógenos, como o interesse estratégico nacional. Os accionistas têm, pela sua natureza, outro despojamento: nutrem estima pela companhia e, certamente, orgulho por Portugal, mas, confrontados com o dilema, farão, acima de quaisquer outras considerações, um exercício de Matemática. Que se resume à resposta a duas perguntas. Primeiro, quanto vale o futuro de que Granadeiro fala em dinheiro? E com o dinheiro da venda à Telefónica que futuro alternativo podem os accionistas começar já a construir?

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A Bruna abriu a caixa de Pandora

Escolas das regiões de Lisboa, Algarve e Santarém, chamaram a atenção para o ‘dress code’ dos professores durante a vigilância dos exames. As recomendações (cuja paternidade não é assumida pelo Ministério da Educação) desaconselha  calções de praia e decotes, sublinhando a preocupação com a concentração dos examinados. Mas, o olhar sempre atento da tutela (seja ela qual for) parece ter elegido como factor de risco máximo o calçado, desincentivando, de forma enérgica, o uso de havaianas e de sapatos com salto alto. A professora Bruna, agora estrela da Playboy, abriu a caixa de Pandora.

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Sem tempo para pensar

A ideia de limitar o pagamento de portagens a três SCUT no norte do país não tem racional político nem critério económico. E, sobretudo, parece revelar em quem decide falta de tempo para pensar…

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Quarta-feira, 23 de Junho de 2010

Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque e Macário continua a ser Macário

Macário Correia é um homem de metáforas fortes – há uns anos comparou um beijo a uma fumadora ao acto de lamber um cinzeiro. O tempo não retirou a Macário a patine do politicamente incorrecto mas conferiu-lhe um pouco mais de sofisticação na forma como expõe os seus pontos de vista. A última causa do autarca combate “maus hábitos” e “vícios antigos” mas, felizmente, não envolve a relação de humanos com cinzeiros. Macário decidiu proibir os funcionários da Câmara de Faro de permanecer em estabelecimentos de comércio de bebidas durante as horas de expediente. E não se trata apenas de conversa. O despacho do autarca prevê que as ausências prolongadas nas horas de serviço a beber, a comer ou simplesmente a palrar, sejam punidas como faltas injustificadas e processos disciplinares. O gesto exige bom senso na avaliação mas é um acto corajoso e que ataca de frente, sem paninhos quentes, o tema crónico da falta de produtividade. Em resposta ao Jornal de Notícias, Macário sintetiza a razão principal que justifica a sua decisão: “Se você estivesse meses à espera de um despacho e não o tivesse porque o funcionário que deveria tratar disso passa a maior parte do tempo no café, certamente não gostaria”. Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque e Macário continua a ser Macário. Ainda bem…

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Muitos direitos, raros deveres

O PSD quer eliminar a saúde e a educação gratuitas da Constituição. Suspeito que a proposta provoque alguma gritaria misturada com uma dose generosa de demagogia. Criámos, nos últimos trinta anos, uma sociedade de muitos direitos e raros deveres que não podem ser questionados. Queremos mesmo manter uma ficção? Ou não teremos, enquanto sociedade, a maturidade de permitir que os cidadãos escolham entre o serviço público e privado e paguem com justiça social de acordo com a sua opção?

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Terça-feira, 22 de Junho de 2010

Cavaco, casamentos, funerais e baptizados…

A relação de Cavaco Silva com casamentos e funerais está a tornar-se o maior empecilho à sua reeleição. O casamento entre homossexuais e o funeral do único Nobel da Literatura português revelaram inesperadas zonas cinzentas do Presidente da República. Compreende-se, certamente, o incómodo do católico Cavaco com o casamento entre homossexuais – mas, estranha-se, na sua posição, o compromisso entre o calculismo político e os princípios. Tal como se compreende a sua embirração com a figura e com as convicções de José Saramago – e, sobretudo, com o que o escritor pensava do político. Mas, também aqui, o equilíbrio entre as emoções e as obrigações da primeira figura do Estado deixaram a desejar. Senhor Presidente, permita-nos, pois, um conselho humilde: repense a sua relação com os casamentos e os funerais. E vá rezando para que até às eleições não apareça, por aí, um convite para um qualquer baptizado…

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Ruído de fundo no PSD

Os elogios a Pedro Passos Coelho começam a coabitar com um intrigante ruído de fundo no PSD. É evidente a distância entre as preocupações mais profundas dos portugueses e a revisão da Constituição ou a tentativa de acabar com a imposição da forma republicana de Governo . A pluralidade no PSD é saudável mas será este o tempo de ser fracturante (mesmo que as causas sejam legítimas), sobrepondo, ainda que de forma benigna, as convicções de cada um ao discurso do líder? Se o país está a descobrir Passos Coelho, não conviria dar prioridade ao seu pensamento sobre o que de facto é essencial?

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Sete a zero

Sete golos à Coreia devolveram ao País a euforia dos tempos em que os bancos emprestavam dinheiro e as empresas contratavam pessoas. Só não muda a perspectiva que as agências de rating têm sobre nós.

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