Sexta-feira, 30 de Julho de 2010

As preferências da mente humana

A mente humana está naturalmente predisposta para somar e multiplicar – e raramente para dividir ou subtrair. No mundo dos negócios, dividir ou subtrair são verbos interditos que deixam os investidores de sobreaviso. É curioso, como exercício, analisar as primeiras reacções ao muito justamente considerado negocio do ano – a venda da Vivo. O CEO da Telefónica, que pagou um preço vagamente pornográfico pela posição da PT na Vivo, já avançou com uma estimativa de criação de valor entre 3,3 e 3,9 mil milhões de euros. Sem avançar números, o CEO da PT – que, além de fazer um negócio chorudo, trocou a jóia da coroa no Brasil por um desafio reluzente –, sublinhou que a massificação da banda larga no Brasil é  uma oportunidade única para a Oi. Os dados da equação são conhecidos: o Brasil tem apenas 23 milhões de utilizadores de banda larga  num país com mais de 190 milhões de habitantes. No final do dia, o desafio de um executivo traduz-se nesta capacidade de consolidar numa soma ou numa conta de multiplicar a realidade que também é feita de partilha e subtracção.

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Os bancos estão cada vez mais parecidos com uma steakhouse que deixou de servir bifes

Para que serve um banco? De uma forma simplista, para guardar e emprestar dinheiro. Uma dessas funções – a concessão de crédito – está fortemente comprometida. Segundo um trabalho do Público, os principais bancos portugueses, em linha com a maioria dos seus congéneres europeus, estão a passar para os clientes as restrições no acesso ao crédito e o aumento do custo do capital. Não é novidade para ninguém que hoje é uma espécie de teste de stress para qualquer particular ou empresa aceder a um crédito bancário.  Como ironizava um amigo, os bancos estão cada vez mais parecidos com uma ‘steakhouse’ que deixou de servir bifes. Não se admire se o seu gestor de conta lhe disser: “Dinheiro para lhe emprestar não temos. Mas, oferecemos-lhe,  com gosto, um cafezinho”. E da forma que as coisas estão, o melhor é aceitar a oferta.

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Quinta-feira, 29 de Julho de 2010

Sócrates acaba por vir sempre ao de cima

Há dias em que um homem deve sair de casa. Finalmente, Sócrates teve um dia assim. O Ministério Público resumiu o mediático caso Freeport, que consumiu o primeiro-ministro e desgastou a sua imagem, a uma banal tentativa de extorsão. A Justiça portuguesa voltou a parir um rato, agora protagonizado por uma dupla com nome de banda electrónica, Smith e Pedro. O primeiro-ministro, num tom intimista e moderado, falou ao país. Queixou-se da “enormidade de calúnias” de que foi vítima, juntamente com a sua família, e colocou uma pedra sobre o assunto. Estranhamente, pareceu perdoar, o que defnitivamente não está no seu DNA. “A verdade acaba por vir sempre ao de cima”, lembrou o primeiro-ministro. Mas, na política portuguesa, é José Sócrates o que há de mais parecido com o azeite: aconteça o que acontecer, ele acaba por vir sempre à superfície.

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Para memória futura

O triângulo amoroso entre a Telefónica, a PT e a Vivo acabou sem lágrimas, dramas de faca e alguidar ou crimes conjugais. Numa repentina, mas bem sucedida, maratona negocial e diplomática, a PT chegou a acordo com a OI, mantendo a tão desejada presença no Brasil e encaixando os ainda mais desejados 7,5 mil milhões de euros com a venda da Vivo. Num ápice, multiplicaram-se os heróis para reclamar os louros da operação. José Sócrates – na segunda conferência de imprensa em dois dias –, esgotou os elogios à administração da empresa e tratou de auto-capitalizar a utilização da ‘golden share’. No entanto, uma questão permanece: se o Governo tivesse prescindido do recurso à ‘golden share’, a aquisição de uma posição na Oi, com menos precipitação e pressão política, teria sido conseguida a um melhor preço? Para memória futura ficará, também, o desvalorizado papel dos accionistas privados: devem-se a eles e à sua intransigência as sucessivas subidas de preço que levaram a proposta da Telefónica dos 5,7 mil milhões para os 7,5 mil milhões. A equipa de gestão, os accionistas e o Estado têm razões de sobra para festejar o alinhamento astral que, num tempo recorde, permitiu concretizar a operação.  Desconhece-se, contudo, se abrirão as garrafas de champanhe em conjunto…

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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Até as criancinhas, Senhor!?

A Direcção Geral das Finanças notificou uma criança de seis anos, residente em Coimbra, para apresentar a declaração de rendimentos referente ao ano de 2008. Segundo a base de dados das Finanças, o projecto de contribuinte teria naquele ano, com apenas quatro anos, recebido uma bolsa para estudar na Universidade dos Açores. Afinal, esclarece o Correio da Manhã, tratou-se de um lamentável erro informático. Moral da história: para infortúnio da implacável máquina fiscal, as criancinhas ainda escapam às suas garras. E quanto à Universidade dos Açores, não é, infelizmente, um milagre provocado pelo Programa de Novas Oportunidades que gostaria certamente de transformar crianças que estão a aprender as primeiras letras do alfabeto em sobredotados candidatos a bolsas do Ensino Superior. Um último detalhe: à mãe da criança foi pedido que escrevesse uma carta ou se apresentasse na repartição de Finanças para desfazer um equívoco a que é alheia. O respeito pelo cidadão está, como seria de esperar, próximo do zero. O pedido de desculpas, esse, fica para a próxima reencarnação.

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Férias, precisam-se!

O maior elogio que se pode fazer a José Sócrates é à sua coerência, mesmo que frequentemente ela seja consequência directa de um persistente defeito, a teimosia. Quando o primeiro-ministro diz que vai usar a ‘golden share’ de manhã, é garantido que não vai mudar de ideias ao final do dia. Nem, como se tem constatado, nas semanas seguintes. O mesmo não se passa, contudo, com alguns dos seus ministros. O responsável pela pasta das Obras Públicas começou por dizer que a privatização da TAP era “urgente” num dia, para no dia seguinte, esclarecer que ela avançará quando “for oportuno”. E não é caso único num Governo ultimamente dado a correcções e equívocos. Férias, precisam-se!

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Terça-feira, 27 de Julho de 2010

Passos Coelho e o Estado-amendoim

Não há dia em que um ministro, deputado ou militante socialista não venha alertar para a tentativa de o PSD destruir o Estado social. O PS descobriu uma linha de comunicação para os próximos meses: Passos Coelho é um fetichista liberal e só descansará quando o Estado ficar do tamanho de um amendoim. Como explicou Luís Campos e Cunha, no seu último texto no Público, a discussão lançada por Passos Coelho sobre a revisão constitucional não é consensual mas é importante: a resolução do problema que mais aflige os portugueses, o desemprego, depende do bom funcionamento da economia e este depende do bom funcionamento do sistema político. E, finalmente, para isso é necessário debater seriamente a Constituição. Claro que por tacticismo, inércia ou preconceito ideológico, poucos aceitam discutir a reforma do Estado, a existência de uma moção de censura construtiva ou a avaliação parlamentar prévia de nomeações do Governo para lugares técnicos. É verdade que o PS já manifestou disponibilidade para  debater a revisão da Constituição, depois da votação do Orçamento do Estado e das eleições presidenciais. Até lá, Passos Coelho não será poupado. E, antes de qualquer discussão séria, é provável que haja eleições legislativas.

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TAP com os pés no chão

Segundo o jornal i, o Governo pondera seriamente a privatização da TAP, como forma de recapitalizar a empresa antes que surja uma nova crise provocada pelo decréscimo da procura ou pela subida do preço do petróleo. Há quem defenda que a companhia de aviação de bandeira é um activo estratégico nacional e que deveria permanecer pública. Como diz o marketing do PCP, e é verdade, ‘o público é de todos, o privado de alguns’. No entanto, aqui como noutros casos, o País tem de adequar a sua ambição estratégica aos seus recursos e disponibilidades. Até as companhias de aviação precisam de ter os pés no chão.

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Um tónico contra a recessão?

“Que segredo tem a Espanha para conseguir todos estes êxitos em tantas modalidades?”. A pergunta do Presidente Sarkozy foi dirigida ao ciclista Alberto Contador que acabara de vencer a Volta à França em bicicleta. No mesmo mês de Julho, a selecção espanhola conquistou o Campeonato do Mundo de Futebol, o tenista Rafael Nadal conquistou o Torneio de Wimbledon, e, neste fim-de-semana, Fernando Alonso ganhou o Grande Prémio da Alemanha. Os desportistas espanhóis superam com distinção os testes de ‘stress’ e dão o exemplo a um país economicamente fragilizado. Serão as vitórias desportivas um tónico contra a recessão?

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Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

Sócrates perdeu a sua principal vantagem competitiva: já não está sozinho no ringue da coragem

Manuela Ferreira Leite cometeu dois erros fatais como líder do PSD: ignorou as noções mais básicas de marketing político e castigou de forma lamentável e discricionária os que lhe viriam, ironicamente, a suceder. Mas, Manuela Ferreira Leite perdeu as eleições por uma razão bem mais prosaica: disse a verdade ao País antes do tempo, com a agravante de ter dito aquilo que ninguém queria ouvir. Em poucos meses, as profecias da desgraça de Ferreira Leite tornaram-se o pão nosso de cada dia e cada dia que passa o país sabe que viverá pior do que na véspera. Apesar de existirem e persistirem as corporações de interesses e os preconceitos ideológicos cristalizados, a sociedade portuguesa tem hoje uma consciência das suas circunstâncias e contexto que retira margem a vendedores de ilusões com um ‘sorriso pepsodent’. Acredito que essa consciência tenderá a valorizar os políticos que apresentem uma agenda reformista mesmo que ela comporte rupturas pouco compatíveis, à partida, com a renovação de uma maioria. O que Pedro Passos Coelho está a propor – e que se espera que cumpra – é que fará o que tiver de ser feito, mesmo que isso lhe permita governar apenas por quatro anos. «Um projecto com princípio, meio e fim», como sintetizou Paulo Rangel, que poderá ser difícil de defender perante o eleitorado. Claro que ninguém gosta da redução do Estado Social, da liberalização de despedimentos ou de uma disciplina orçamental com visão de médio prazo, mas não parece haver alternativa nem muitas mais oportunidades para um país endividado e cheio de vícios. As razões de Passos Coelho são atendíveis e a sua causa parece justa, o que obriga José Sócrates a definir se continua a interpretar uma personagem de ficção ou se desce à terra. A grande novidade é que o país terá, daqui a alguns meses, dois candidatos a primeiro-ministro igualmente determinados e absolutamente diferentes nas suas idiossincrasias. Sócrates perdeu a sua principal vantagem competitiva: já não está sozinho no ringue da coragem.

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Quarta-feira, 21 de Julho de 2010

Oi, a Dulcinéia da PT

Há dias perguntei nesta coluna quem estaria disponível, no caso PT/Telefónica/Vivo, para desempenhar o papel de Dom Quixote, o desafiador sem recursos que se julga o mais corajoso e o mais fidalgo?  E quem seria o seu fiel escudeiro, o Sancho Pança que o ajudaria na cruzada contra os novos moinhos de ventos a que hoje chamamos Telefónica? Um amigo provocador perguntou-me: “E nessa tua metáfora quem é a Dulcinéia?”. Valerá lembrar as palavras de Cervantes, descrevendo a musa de Dom Quixote: “Seus cabelos são ouro; a sua testa campos elíseos; suas sobrancelhas arcos celestes; seus olhos sóis” e por aí adiante. Tudo aponta para que a súbita paixão da PT, a sua Dulcinéia, seja a Oi. Apesar de não ter planeado o seu amor como Dom Quixote, a PT parece avançar nas negociações para que a Oi seja a nova Vivo, permitindo uma saída airosa a todos os que se foram enredando num processo cheio de contradições e de fragilidades. A questão é a de saber se a Oi e os seus accionistas aceitarão tão repentina consumação carnal com a PT, sem namoro nem noivado? Esperemos que o desejo da PT não tenha o mesmo fim do amor platónico de Dom Quixote. Cervantes de novo: “Ó princesa Dulcinéia, senhora deste cativo coração, muito agravo me fizeste em despedir-me, e vedar-me com tão cruel rigor que aparecesse na vossa presença”.

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O tempo não volta para trás

O país – para não parecer demasiado acomodado com  o seu destino – gosta de indignar-se uma a duas vezes por ano. O programa de revisão constitucional do PSD já teve esse efeito de toque a rebate – ainda não  foi aprovado mas já agita consciências e acorda complexos adormecidos. E porquê? Por pretender apagar da Constituição conceitos como o “direito à autogestão”, o direito dos trabalhadores a participarem na gestão das empresas públicas e o direito de expropriação dos meios de produção ao abandono. Outras exigências constitucionais como o julgamento dos ex-membros da PIDE são também eliminadas. Das duas uma: ou queremos uma Constituição que pertença ao século XXI ou guardamos num texto sagrado as relíquias do PREC. Porém, por muito que a Constituição dê abrigo a vestígios arqueológicos do pensamento marxista, o tempo não volta para trás.

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Autoeuropa em português

Num mundo global, não admira que os reitores de Harvard e do Insead sejam indianos. É a prova que o conhecimento e a competência não têm pátria. No entanto, a chegada à Autoeuropa de um director-geral português é um sinal de que os países também se afirmam pela sua capacidade de gerar líderes e decisores, assegurando centros de competência ( e não necessariamente de decisão) dentro da sua geografia.

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Terça-feira, 20 de Julho de 2010

Para que serve uma escola de negócios?

Uma tertúlia organizada pela EGE-Atlantic Business School e moderada por Alberto de Castro responde, com distinção, à pergunta que serve de título a este texto. Uma escola de negócios deve ter espaços de respiração, de liberdade e até de especulação que ajudem a compreender o caminho que nos leva ao futuro. Na tertúlia referida, a intervenção de José Fernando Pinto dos Santos questionou os paradigmas actuais, recorrendo aos conceitos de incerteza conhecida e de incerteza desconhecida – e é claramente com este último com que nos confrontamos hoje.  O professor do INSEAD, do MIT e da Católica do Porto defendeu que, na interrogação absoluta que marca o nosso tempo, a capacidade dos empresários de prever o futuro apenas existe nas aulas de MBA. A dinâmica da mudança coloca questões apaixonantes: O que acontecerá no futuro às multinacionais? A tendência, como disse Pinto dos Santos, será a criação de  empresas integradas em aglomerados de especialização industrial? As empresas que triunfarão serão as que se libertarem dos seus países? Haverá lugar para empresas locais que mantêm o seu modelo clássico de internacionalização? Valerá a pena citar, ainda mais uma vez, Pinto dos Santos e a sua ideia de que neste novo mundo, de absoluta imprevisibilidade, vencerão as empresas que recorrerem ao saber do passado como bússola para enfrentar mares desconhecidos. Na incerteza, o porto de abrigo parece ser o núcleo central de valores, a essência da empresa, mas, será, sobretudo, valorizada a sua capacidade de ver mais longe e buscar complementaridades onde quer que elas existam. Eis, também, a função de uma escola de negócios: não se limitar a ensinar modelos e teorias, mas, ajudar a pensar e a especular. O futuro está no que conhecemos e vivemos mas também naquilo que, por vezes, não ousamos pensar.

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O Brasil é um luxo

Sinais de um Brasil que faz inveja a uma Europa velha e empobrecida: um estudo recente revela que a classe C (famílias da classe média com rendimento entre três e dez salários mínimos) gasta entre 30 e 60% das suas disponibilidades em produtos de luxo. O consumo é visto como factor de reconhecimento social. As empresas respondem rápido, elevando o padrão dos produtos populares e investindo nos novos consumidores. Nos dias que correm, o Brasil é um luxo.

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